2020-09-15

O paradoxo do confinamento: com o crescimento do digital, 96% dos alunos usaram o manual em papel

Mais de 11 mil professores e encarregados de educação participaram num estudo de satisfação sobre as plataformas educativas e de comunicação, fornecendo elementos úteis para possíveis cenários futuros, incluindo a transição digital

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O número é, a todos os níveis, excecional: mais de um milhão e duzentos mil utilizadores (alunos, na maioria, mas também professores e encarregados de educação) estiveram registados na Escola Virtual, uma plataforma de ensino à distância, durante o período de suspensão das atividades letivas que vigorou a partir de 16 de março até ao fim do ano letivo passado.

As circunstâncias impostas pela pandemia obrigaram toda a comunidade educativa a adaptar-se rapidamente a um ensino de emergência, que se alicerçou sobretudo nas plataformas educativas e de comunicação. Para saber como foi vivido esse período pelos utilizadores, o Grupo Porto Editora realizou um inquérito dirigido a educadores e professores (do Pré-Escolar e dos Ensinos Básico e Secundário) e a encarregados de educação registados na Escola Virtual, que teve lugar nas primeiras duas semanas de julho passado.

Dos mais de 11 mil questionários respondidos, sobressaem dados tão interessantes quanto surpreendentes. Num contexto em que o digital assumiu um protagonismo inusitado, dominando conversas e debates sobre novos paradigmas educativos:
76% dos encarregados de educação sublinharam a importância do manual escolar em papel;
• Opinião idêntica tiveram 50% dos professores.


Em linha com esses dados, verificou-se que:
96% dos alunos usaram o manual em papel;
52% nunca usaram a respetiva versão digital – um dado que poderá relacionar-se com o facto, devidamente noticiado na altura, de haver dezenas de milhares de alunos sem acesso a computador ou acesso à internet.


Este sublinhar da importância das ferramentas analógicas não ensombra o crescimento que se verificou do digital – pode-se afirmar, aliás, que reforça a ideia de complementaridade entre os dois meios. De facto:
• 89% dos professores reconheceram que passaram a usar mais as funcionalidades proporcionadas pelas plataformas educativas (vídeos, interatividades, recursos associados aos manuais digitais, fichas editáveis de avaliação, etc.);
• 90% dos professores avaliaram os seus alunos fundamentalmente através da participação nas aulas/tarefas e dos trabalhos assíncronos, com cerca de um terço dos professores a avaliarem os seus alunos com base nos testes feitos nas plataformas educativas, sobretudo junto dos alunos mais velhos;
• 76% dos professores afirmaram terem criado essas tarefas com base nas plataformas educativas e que as enviaram por e-mail (55%).


Escola Virtual como referencial para a transição digital

O acesso gratuito à Escola Virtual – anunciado minutos depois da comunicação feita pelo Primeiro-Ministro sobre a suspensão das atividades letivas presenciais, na noite de 12 de março de 2020, e que vigorou até ao fim do ano letivo passado – facilitou em muito a adaptação da comunidade educativa às circunstâncias impostas pela pandemia. Ao mesmo tempo, colocou no centro da atenção da comunidade a importância das ferramentas e dos conteúdos digitais, abrindo espaço para o debate sobre a transição digital.

A Escola Virtual (EV) pode ser, por isso, considerada um barómetro para a definição de estratégias futuras, proporcionando dados úteis sobre a evolução do envolvimento e da utilização de uma plataforma de ensino à distância.

Olhando para o que se passou a partir de 13 de março, constata-se que:
• dos 200 mil utilizadores, a EV passou a ter mais do dobro em pouco mais de um mês, superando o milhão no início do mês de maio passado;
• em apenas um mês, os professores criaram mais de 50 mil turmas, número que acabou por ultrapassar as 87 mil turmas;
• os professores conceberam mais de 60 mil testes;
• até ao fim do ano letivo, os alunos fizeram cerca de dois milhões e meio de exercícios na plataforma.

Em relação ao grau de satisfação dos utilizadores:
• 86% dos educadores e professores estão bastante satisfeitos com a relevância dos recursos disponíveis na plataforma;
• 84% consideram os recursos de fácil utilização;
• 81% sublinham a qualidade dos recursos disponibilizados.

Quanto aos recursos mais valorizados pelos docentes:
• 84% elege os manuais digitais a par dos vídeos e áudios;
• 82% aponta os recursos digitais associados aos manuais;
• 80% valoriza mais os recursos complementares das áreas das disciplinas.


A terminar, e no que concerne às plataformas de comunicação, de referir que todos os inquiridos manifestaram conhecimento em relação às alternativas existentes, sendo que a utilização preferencial por uma ou outra plataforma (Zoom, Google Classroom, MS Teams, e-mail, etc.) decorreu fundamentalmente da escolha feita pela escola/agrupamento escolar.

O relatório do inquérito realizado pode ser acedido aqui.

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