Editorial

Edição n.º 20, março de 2016

Bom senso

Desde que, em janeiro, o Ministério da Educação anunciou a intenção de avançar com a gratuitidade e impor a reutilização obrigatória dos manuais escolares, os editores têm procurado informar e chamar a atenção de todos os protagonistas quanto às consequências negativas dessa medida.

Não é fácil desmontar uma narrativa que, à primeira vista, parece bem intencionada e positiva. Contudo, quando se encara o assunto com seriedade, profundidade e rigor, emergem um conjunto de argumentos que recentram a discussão no que, em boa verdade, deve estar em cima da mesa: o sucesso escolar dos alunos, a equidade no acesso à educação, o apoio aos professores, enfim, o próprio funcionamento do sistema de ensino.

Raramente é destacado o papel das editoras escolares, sendo mais comum — por ser mais fácil e populista — optar-se por uma visão “diabolizada” do setor. No entanto, a realidade mostra que as editoras escolares são responsáveis pelo desenvolvimento e inovação constante dos recursos didático-pedagógicos, em diferentes formatos, num trabalho em permanente contacto com os professores. Ao mesmo tempo que pensam nas melhores soluções para os alunos, as editoras escolares — e permitam-me a imodéstia de colocar a Porto Editora no topo — investem fortemente no desenvolvimento de recursos específicos de apoio à docência, muitos deles disponíveis gratuitamente, desenhando paralelamente planos e ações de formação considerando as necessidades dos professores.

Todo este envolvimento e compromisso com alunos, professores e comunidade educativa, com os ganhos mais do que evidentes para o sistema de ensino, diminuirá drasticamente caso se imponha uma visão distorcida quanto ao que realmente é importante em Educação. No fim, é uma questão de bom senso.

Votos de bom ano letivo. Conte connosco!

Vasco Teixeira

 
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