Edição n.º 19, janeiro de 2016

Do preto e branco à utilização da cor até ao aparecimento do digital, o livro escolar foi evoluindo e adaptando-se às necessidades de professores e alunos. O ORE publicou um estudo que revisita as últimas quatro décadas e apresenta as mudanças verificadas nestes importantes recursos didático-pedagógicos.

Em plena era do conhecimento, os alunos portugueses têm acesso a manuais escolares que são, na verdade, projetos que se ramificam em diversos recursos impressos e digitais, o que os coloca em pé de igualdade, neste aspeto, com os alunos dos países mais avançados da Europa. Uma realidade muito diferente de tempos anteriores, sobretudo de há 40 anos, quando Portugal dava os primeiros passos em democracia e o livro escolar se libertava do controlo censório até então vigente e que impunha o livro único.

O caminho percorrido nas últimas quatro décadas está bem retratado no estudo “A evolução do manual escolar entre 1975 e 2014”, da responsabilidade de Adalberto Dias de Carvalho e Nuno Fadigas, investigadores do Observatório dos Recursos Educativos (ORE).

Para Adalberto Dias de Carvalho, a realização deste estudo era “fundamental para se analisar a evolução do livro escolar, especialmente num período marcado pela democratização da escola e a secundarização do ensino seletivo, considerando também as próprias mudanças que se verificaram na sociedade ao longo do tempo”. Afinal, segundo o coordenador do ORE, o “livro escolar é um instrumento de trabalho importantíssimo para professores e alunos

Como amostra, o ORE considerou os manuais escolares do 8.º ano de escolaridade para as disciplinas de História, Ciências Naturais e Português, tendo solicitado o acesso ao arquivo do Grupo Porto Editora que, pela sua longa e representativa experiência na área da edição escolar, assegurava à partida as condições essenciais para a realização da investigação.

Ao longo deste estudo são analisados aspetos quer de carácter técnico quer pedagógico, desde o tipo de capa usada, o número de páginas e a organização gráfica até ao número de componentes do manual, o número e tipo de atividades e de testes, entre outros, identificando-se as principais etapas evolutivas do manual.

Das conclusões deste estudo, destacam-se as seguintes:

  a) Os manuais escolares foram sempre acompanhando a evolução tecnológica, não só no que se refere ao domínio das artes gráficas, mas também das tecnologias da informação e da comunicação, designadamente através da progressiva incorporação destas novas “linguagens” nos projetos finais – do VHS ao CD e DVD-ROM, até às mais recentes plataformas da Internet.

  b) A transposição didática é uma realidade consolidada nos atuais manuais escolares que, progressivamente, foram abandonando a mera exposição com residual recurso à exercitação e à descoberta, bem como o predomínio de uma linguagem vincadamente académica.

  c) O projeto (escolar) de hoje, ao contrário do simples manual (escolar), constitui um recurso em condições de acompanhar sistematicamente a prática letiva. A disponibilização, por exemplo, de um teste de avaliação pedagógica faz retroagir a sua utilização para um momento anterior à exposição do programa; por seu turno, a oferta de testes globais, situados além da avaliação sumativa com testes “locais”, permite a sua aproximação ao que habitualmente se afirma ser um exame. A estas extensões acresce ainda um intuito de coordenação: as planificações globais e de aula, hoje universalmente disponibilizadas com o manual, funcionam como esquemas organizadores e integradores dos vários elementos que constituem o respetivo projeto.

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