Será o empréstimo uma boa solução para professores e alunos?

Edição n.º 18, dezembro de 2015

Apontada como uma medida sensata, a implementação de um modelo de empréstimo de manuais pode ter um impacto muito negativo no funcionamento do sistema de ensino.

A crise económica que tem afetado o país tem servido de pretexto para que se defenda a implementação de um sistema de empréstimo de manuais escolares, com o objetivo de proporcionar uma maior poupança às famílias e evitar desperdícios. No entanto, esta proposta, que à primeira vista parece bem-intencionada, desvaloriza aspetos que são particularmente relevantes para o sistema educativo, nomeadamente as dimensões educativa, pedagógica e cultural associadas aos manuais escolares.

De facto, determinar a obrigatoriedade de as famílias devolverem os livros no final do ano letivo prejudica objetivamente os alunos, pois impede-os de disporem livremente dos manuais, privando-os de usarem metodologias de estudo tão eficazes quanto o sublinhar ou tomar notas. Sobretudo, ao retirar os livros escolares da posse dos alunos, condiciona-se a preparação que estes têm de fazer para enfrentar os momentos de avaliação nos finais de ciclo de ensino, em que a revisão da matéria e a consolidação dos conhecimentos adquiridos nos anos anteriores é absolutamente fundamental.

Ao mesmo tempo, aquela medida discriminará negativamente os alunos de famílias mais carenciadas, pois serão estas que acabarão por recorrer a um sistema de empréstimo. Na verdade, a preocupação deveria ser a de assegurar que os alunos de contextos mais desfavorecidos tivessem os livros e deles pudessem fazer uso sem condicionalismos.

Obviamente, estes constrangimentos dificultarão o próprio quotidiano dos professores, que será afetado ainda pela impossibilidade de os editores continuarem a investir no desenvolvimento de materiais pedagógicos de apoio à docência, como o têm feito ao longo dos anos. Necessariamente, o empréstimo de manuais escolares obrigará, portanto, a uma desacelaração do investimento em recursos didáticos complementares ao manual (que representam um investimento elevado a nível tecnológico e de investigação), afetando, desta forma, o apoio dado a professores e alunos prejudicando o processo de ensino-aprendizagem.




 
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