Edição n.º 17, maio de 2014

A necessidade de esclarecer os prós e os contras do uso das tecnologias em sala de aula incentivou o Observatório a analisar um importante conjunto de trabalhos internacionais de investigação sobre esta matéria; análise essa que foi agora compilada no estudo "Por uma utilização crítica dos recursos digitais em contextos educativos – um balanço de investigações recentes".

A principal conclusão identificada é que a complementaridade entre os recursos digitais e os tradicionais (como o lápis, a esferográfica e os manuais em papel) deve ser incentivada, até porque os recursos digitais potenciam aulas mais motivadoras e eficazes. Mas sempre até certa extensão, considerando a facilidade com que um aluno desvia a sua atenção para assuntos que não fazem parte do que está a ser lecionado em sala de aula.

O estudo conclui, então, que cabe ao professor gerir esta complementaridade, apontando vários aspetos que recomenda aos docentes.

O acesso à Internet ilimitado nos computadores pessoais dos alunos é um fator de distração potencial, sobretudo se as aulas forem predominantemente expositivas. Ainda que o estudo não defenda a proibição do uso dos computadores, advoga a necessidade de os professores dialogarem com os seus alunos, numa fase prévia, alertando-os para os riscos e prejuízos de um uso inadvertido do computador em sala de aula, sem ser em prol de um complemento da aprendizagem.


Utilizadores exclusivamente digitais têm menor rendimento cognitivo


As distrações dos colegas do lado com as imagens e luz dos monitores e a possibilidade de realização de múltiplas tarefas estão na origem identificada das perdas de atenção. E todos os estudos citados demonstram que os alunos são incomodados e distraídos pelo uso de computadores pessoais sem um controlo destes acessos. Aliás, é referido que, nos casos analisados, “verificou-se um decréscimo de cerca de 11% no rendimento cognitivo dos utilizadores de suportes digitais, número que cresce para os 17% no caso dos colegas dos utilizadores que, situados junto daqueles, se distraem”.

A segunda recomendação do estudo passa pelo desencorajamento, pelos professores, da utilização dos computadores pessoais em aulas onde a tecnologia não é, de todo, necessária, como aquelas “em que a informação é geralmente apresentada em manuais escolares ou através de apresentações com diapositivos”.

Em termos de desempenho cognitivo, conclui-se que “ler em papel é, em termos de desempenho cognitivo, mais rentável do que a leitura em formato digital”. O mesmo trabalho deteta que quando se compara a compreensão leitora dos que, em aula, leem apenas em papel ou apenas em formato digital, os resultados não se apresentam animadores para os últimos. Conclui-se, assim, que “em tarefas que implicam designadamente a leitura e a escrita em simultâneo, é imperativo disponibilizar-se, aos alunos, uma versão impressa em papel do documento”.

 

 
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