Edição n.º 16, novembro de 2013

Agregação de escolas, aumento da escolaridade obrigatória, metas curriculares. Conheça a reação de professores e diretores às mais recentes mudanças na Educação.

Olhando para trás, mas sem necessidade de fazer um grande recuo, vemos que a Educação viveu inúmeras alterações, que interferiram com quase todos os agentes educativos: direções de escolas, professores, alunos e até encarregados de educação. E se há quem as justifique e entenda pela atual conjuntura económica, outros existem que as criticam, “sobretudo porque estas medidas são tomadas sem planeamento e sem o diálogo com quem está à frente das escolas.” Assim o diz Domingos Oliveira, diretor da Secundária com 3.º Ciclo dos Carvalhos, em Vila Nova de Gaia, sede de mega-agrupamento.

Agregação de escolas arrancou em 2010

E a criação de agrupamentos e mega-agrupamentos foi, precisamente, uma das alterações com maior impacto nas escolas e nas suas estruturas, iniciada em 2010. Apesar de a justificação economicista ser a que mais prevalece por entre diretores e professores, há quem defenda a mais-valia pedagógica desta agregação de escolas. Domingos Oliveira, por exemplo, não duvida que “acompanhar o percurso dos alunos do pré-escolar ao 12.º ano vai permitir, não no imediato, mas no futuro, fazer um melhor trabalho com eles, perceber o que está mal e atuar através de um trabalho colaborativo e articulado ao longo dos 15 anos de percurso do aluno”.

Esta verticalidade é também bem recebida por Agostinho Guedes, diretor da Escola Secundária Inês de Castro, em Vila Nova de Gaia, mas com uma ressalva. “Esta alteração faz sentido nas áreas metropolitanas. Já não a vejo com bons olhos quando acontece em zonas menos densas a nível populacional, porque obriga à deslocação de dezenas de jovens de madrugada para irem para a escola. E isto não faz qualquer sentido.” Na sua opinião, “perde-se em qualidade de vida e na dimensão humana, mesmo ganhando, eventualmente, em economia”.

Escolaridade obrigatória alargada a 12 anos em época de crise

2012 foi um ano com importantes alterações no ensino, ao concretizar intenções governativas anteriores, como o alargamento da escolaridade obrigatória a 12 anos, e aqui a opinião é mais consensual. “Houve, ao longo dos anos, um delapidar das competências de cidadania, o que nos faz pensar que os jovens devem andar na escola mais algum tempo e parece-me que até aos 18 anos é o adequado”, defende Agostinho Guedes. Opinião semelhante tem Dulce Cariano, professora há 35 anos e a lecionar na Escola Adriano Correia de Oliveira, em Gaia. “Se queremos que os indivíduos tenham uma vivência de escola que lhes permita ter mais conhecimentos para enfrentarem o mundo e estarem aptos a fazer uma leitura mais correta da vida, então os 12 anos são importantes”, justifica.

Porém, o atual contexto económico e social das famílias faz com que estes 12 anos de escolaridade obrigatória não sejam apenas um mar de rosas. Há alunos desinteressados na escola e, para Francis Jesus, professora na EB 2/3 de Santa Marinha, em Vila Nova de Gaia, uma escola TEIP, este alargamento “representa a insistência em alunos que nada querem com a escola” e “isto só aumenta a indisciplina”.

Uma fusão entre poupar e melhorar

“A escola de hoje está a ser muito condicionada pelo contexto social que estamos a viver.” Assim o reconhece Jorge Bajouco, diretor do Agrupamento de Escolas Henrique Sommer, em Maceira – Leiria, que desabafa nunca ter pensado alguma vez vir a lidar com problemas de carência de alimentação, dificuldades em comprar material escolar e até com o aumento do consumo de substâncias ilícitas entre os alunos. “Tudo isto gera, depois, problemas de insegurança e indisciplina, muito difíceis de resolver”, diz.

Novo Estatuto do Aluno responsabiliza encarregados de educação

E é nesta linha de raciocínio que entra um dos principais argumentos a favor do novo Estatuto do Aluno, implementado neste ano letivo. “Na sociedade em que vivemos, a penalização dos encarregados de educação é a única forma de os fazer perceber o peso da responsabilidade que têm na educação dos seus filhos”, argumenta Francis Jesus, professora há 6 anos. Com mais 20 anos de docência que Francis, Teresa Périer, atualmente a lecionar Inglês no Agrupamento de Escolas Infante D. Pedro, na Figueira da Foz, tem a mesma opinião. Mas admite que, “apesar de bem pensado”, este estatuto “é difícil de implementar”, referindo-se à penalização dos pais pelo comportamento dos filhos.

A solução está na “maior aproximação das escolas aos encarregados de educação”. Rosa Vigarinho, diretora de uma turma na Escola 2/3/S da Maceira, em Leiria, não tem dúvidas em afirmar que os encarregados de educação são “assíduos quase a 100%”, sempre que convocados. “Esta aproximação depende de nós, da forma como a escola se relaciona com os encarregados de educação e lhes abre as portas.” Por isso não sentiu nenhuma resistência quando lhes apresentou o novo Estatuto do Aluno no início deste ano letivo.

 

 
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