Edição n.º 15, agosto de 2013


Opinião semelhante tem Maria José, a professora de 1.º ciclo, de Leiria. “Há uma tendência para apenas transmitir os aspetos negativos da escola, quando se fazem tantos e bons projetos importantes para a sociedade, a nível de cidadania e de apoio aos alunos e às famílias.”

Apesar de José Godinho, com os seus 37 anos de docência em Matemática, a maior parte deles em Vila Nova de Gaia, estar “cansado” de ser professor, mantém a sua esperança numa mudança de mentalidade. “Espero que a escola venha a ser um centro de investigação e conhecimento, onde se partilhem opiniões e experiências entre colegas, não apenas estas reuniões burocráticas que temos.” Com quase 40 anos de carreira, José sente que há muitos professores novos a abandonar a escola e isso é “preocupante”. “O ensino está a ficar cada vez mais com falta de renovação.”

“Aquilo que eu hoje sou como professora aprendi com os meus colegas mais velhos, quando comecei a dar aulas há 12 anos”, conta-nos Mónica Pinto, “e sinto, com tristeza minha, que hoje em dia eles estão desiludidos, cansados, sem energia e vontade. E receio que também isso me possa vir a acontecer.”

 

 

 

Se a verdade é que, para muitos, o próximo ano é uma incógnita, a forma como este ano terminou foi vista, por outros, como uma “demonstração de força e de união que não se via há muito tempo”, diz Jorge Monteiro, de Espanhol. “Nós não somos propriamente uma classe social muito unida, mas este ano terminámos com uma tomada de posição forte e coerente e eu penso que isso foi a primeira conquista.” Por isso, aconselha os colegas a regressarem às escolas, no próximo ano, “fortalecidos por essa união, por essa consciência de classe profissional e da importância do seu papel na escola”.

Olinda Mota, de Educação Visual, há 37 anos, em Leiria, diz que “contactar com os alunos, descobrir como eles são, vê-los crescer e saber que em muito contribuo para isso” é a razão que a faz ainda hoje gostar de ser professora. Por isso não hesita em concluir que “já passámos por maus bocados e demos sempre a volta. Continuo a acreditar que esta é uma característica dos portugueses e, por isso, vamos conseguir novamente”.

“Carreguem baterias, nestas férias, porque ser professor é uma vocação, uma missão, é ser resistente no caminho que gostamos de percorrer”, termina Vitorino Silva.

 

 

 
 

 

 
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