Da esperança em setembro…

Edição n.º 15, agosto de 2013

Crónica de Natália Cabral *

No momento em que mais um ano letivo chega ao seu termo, as férias de agosto – até ele incerto, dizem – vão ser vividas por professores, alunos e pais na perspetiva do novo ano letivo que setembro há de trazer.

Que escola teremos, então?

Certamente com menos professores, embora saibamos que o ministério promete que todos os necessários serão colocados. Valha-nos o reconhecimento da especificidade da função docente, finalmente plasmada no ano de carência para o regime de ‘requalificação’ e na mobilidade agora com o teto dos 60 km.

A componente letiva continua a mesma, aumentando o número de horas de trabalho individual. Neste particular, os professores conhecem bem o grande número de horas que despendem na preparação das aulas, na correção de trabalhos e testes e na sua atualização.

Fundamental, também, é a manutenção da redução da componente letiva para o exercício do cargo de diretor de turma. Os diretores de turma exercem uma função determinante nas escolas, pois são os elos privilegiados na comunicação escola / família.

Fazendo fé nas informações dadas pelo ministério, teremos professores disponíveis para apoiar todos os alunos que necessitem de um acompanhamento individualizado. Ao mesmo tempo, as aulas de substituição, a coadjuvação, o apoio a turmas de nível e as atividades de complemento curricular passarão a fazer parte da componente letiva (nos horários dos professores com insuficiência letiva, acreditamos). Esperemos que as escolas possam efetivamente organizar-se sem restrições.



Novo, ou nem tanto, será o programa de Matemática, defendido por uns e criticado por outros, e a merecer o julgamento que a sala de aula e os resultados sempre determinam.

De angústias e maus pressentimentos não pretendemos, no entanto, tingir hoje esta coluna, antes colori-la da esperança teimosa que, como os pais e os professores, também os poderes públicos amem as crianças e os jovens.

Da esperança que a autonomia das escolas – tantas vezes prometida e sempre adiada – entregue, de vez, a gestão da causa da educação a quem a vive.

Da esperança que, no deve e haver final, se avaliarão as boas e as más teorias, as boas e as más práticas – de todos.

Da esperança que pais, professores e alunos farão as finanças perceberem que na educação não se gastam recursos mas fazem-se investimentos.

Da esperança em setembro…


* Natália Cabral é professora aposentada, com 37 anos de serviço, 25 dos quais à frente de uma escola pública.

 

 
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