Edição n.º 10, março de 2012

Três anos depois da promulgação do Presidente da República, tudo parece correr como planeado e este alargamento vai mesmo avançar.

Mas hoje há um fator importante que não estava em cima da mesa na altura: este é o ano com menor investimento em Educação desde 1990, fruto das contenções orçamentais impostas pelas medidas de austeridade.

Por este motivo, se a necessidade de aumentar a qualificação dos portugueses é consensual, a verdade é que são vários os professores e diretores a assumirem que a atual conjuntura económica não é a mais favorável.

“A medida vai ter custos para a tutela e o momento não é o ideal para o país”, refere Antónia Palmeiro, professora na Escola Secundária de Ferreira Dias, no Cacém. “Temos pais em situação complicada e muitos alunos a estudar sem livros e sem material escolar e, para agravar, o apoio social não consegue chegar a todos.”

Mas a verdade é que quando se é professor, no que diz respeito a aumentar a qualificação em Portugal, as motivações pedagógicas sobrepõem-se aos cálculos orçamentais que têm de ser feitos. Que o diga Rosário Tavares, diretora da Escola Básica e Secundária de Sever do Vouga: “Não nos podemos deixar tolher pelas circunstâncias que o país vive, até porque a educação é fundamental para que depois o próprio país consiga dar a volta aos seus problemas.”

 

São precisamente as questões pedagógicas que levam os professores a pensar que, mais do que alargar a 12 anos, é preciso reformular a oferta educativa para dar uma resposta eficaz a esta medida, “sobretudo para que não se confunda política educativa com o pensamento de que a escola deve apenas assumir um papel de custódia das crianças até aos 18 anos”, refere António Duarte, diretor do Agrupamento de Escolas da Guia, no Pombal.

“Na Educação não existem momentos certos para implementar melhorias no ensino, desde que seja para o bem de alunos, professores, pais e comunidade em geral”
Arlete Ribeiro, professora da Escola Básica e Secundária de Sever do Vouga

Já para esclarecer as dúvidas dos docentes, as editoras tiveram um papel “importantíssimo”, confessa Paula Prazeres, professora de 6.º ano da EB2/3 Maria Manuela de Sá, em São Mamede de Infesta.

A aposta no ensino profissionalizante parece ser um percurso paralelo essencial a este alargamento. Hélder Pais, diretor da EB 2/3 de Domingos Jardo, em Sintra, fala da pressão, “muitas vezes familiar”, que muitos alunos sentem para encontrar um trabalho e ajudar na economia doméstica, assim que terminam o ensino básico. “É preciso garantir a motivação de um jovem nesta fase de transição para que ele sinta que é um complemento ou uma mais-valia para as suas ambições”, defende. “A solução pode passar pelos cursos profissionais e pelo ensino noturno e pelo respetivo aumento das suas ofertas em termos de formação.” Para o diretor e também professor, esta é “a forma mais equitativa de absorver todos os alunos de áreas geográficas diferentes e de características sociais e económicas distintas”.

 

 
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