Vamos partir à aventura... a entrada no jardim de infância!
Hugo Rebelo
Vamos partir à aventura... a entrada no jardim de infância!<
Vamos partir à aventura... a entrada no jardim de infância!

Estamos no início do ano letivo e, para muitas crianças, trata-se do começo de uma nova aventura, tipo piratas, exploradores que partem à descoberta do desconhecido... o jardim de infância.

Esta aventura é por vezes assustadora, tanto para crianças como para os pais. Para alguns, implica, pela primeira vez, a separação diária do seu filho e mal conseguem conter o pavor de entregar o seu “tesouro” aos cuidados dos educadores. A questão que, muitas vezes, mais os inquieta é: “Será que se vai adaptar bem?”.

Por sua vez, as crianças veem-se de repente “mergulhadas” num novo mundo, de espaços e pessoas diferentes, com novas regras e com as quais precisam de conviver e adaptar-se. Por vezes, este processo parece estar a correr bem, mas, após a primeira semana, a criança começa a chorar. Os pais preocupam-se, não percebem o porquê disso acontecer: “Foi um problema trazê-lo hoje para a escola. Só chorava a dizer que não queria vir!”. Existem manifestações diferentes para a mesma situação e todas elas giram à volta da “separação” dos pais, que pode ser vivida com alguma angústia ou não.

Há quem defenda que esta separação deve ser gradual: primeiro, umas horas; depois uma manhã; no dia seguinte almoça... e por aí fora. Pessoalmente, penso que quem deve decidir estes “timings” devem ser as próprias crianças. Se a criança está bem, porquê cortar este momento? Devem ser elas a manifestar aos adultos as suas necessidades e estes devem ser capazes de fazer uma leitura correta das mesmas.

Os pais têm um papel muito importante em todo este processo. Cabe também aos educadores alertá-los e orientá-los sobre as melhores atitudes a tomar e que comportamentos devem ter com os seus filhos. Não existem mapas do tesouro para nos orientar na aventura e temos de ter em conta que cada criança é única. Como tal, o que resulta com umas pode não resultar com outras. Há, no entanto, algumas linhas condutoras, algumas pistas (dependendo da idade das crianças), que os pais podem e devem seguir. Por exemplo: dialogar com os filhos sempre de uma forma estimulante e positiva, sem mentiras; explicar o que se vai passar e ajudá-los a entender que vai ser bom aprender coisas novas e fazer novos amigos. Este auxílio irá torná-los mais confiantes e motivados. Outra situação importante é não prolongar os momentos de despedida, os pais devem despedir-se dos filhos de uma forma convicta e não passarem vários minutos a despedirem-se aos bocadinhos. Os pais precisam de estar seguros e tranquilos com o que estão a fazer e passar esses sentimentos para as crianças.

Os educadores de infância têm um papel de extrema importância nesta aventura, com a sua capacidade de gerir todos estes casos de diferentes formas, mesmo podendo ser uma tarefa muito complicada numa altura em que estão a conhecer as novas crianças, a introduzir novas rotinas, ao mesmo tempo que as atividades planeadas devem ser colocadas em prática. É fundamental que as crianças se sintam sempre seguras, valorizadas e especiais, sendo importante proporcionar-lhes experiências positivas. Ao longo de todo este processo os pais devem ser informados dos comportamentos e atitudes dos filhos para assim ganharem mais rapidamente confiança no trabalho do educador.

Com este tipo de procedimentos e com ambas as partes (escola/família) a “remarem” para o mesmo lado, estou certo de que irão chegar ao tesouro (uma adaptação completa e integral) de uma forma mais rápida e, consequentemente, menos penosa para todos. Uma boa aventura...!

Hugo Rebelo — Educador de infância do ensino privado

 

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