Uma sala, imensas possibilidades
Porto Editora
Uma sala, imensas possibilidades
Os mais pequenos têm formigueiro nos pés e nas mãos. Nunca estão quietos, querem mexer em tudo. Como gerir uma sala cheia de crianças em idade pré-escolar? Com brincadeiras e ferramentas de várias formas e feitios.

Uma sala de atividades é construída e decorada para ser um pequeno mundo cheio de surpresas, cantos e recantos para espreitar, explorar, descobrir, absorver com tempo. Com objetos coloridos, brinquedos, materiais que despertam a atenção e a imaginação. Os espaços dos jardins de infância são como uma espécie de recreio de crianças ansiosas por usarem todos os sentidos, a toda a hora, a todos os segundos do dia. As perguntas acontecem naturalmente, e as aprendizagens também.

Uma bola no ar ou no chão. Puzzles com peças de tamanho grande à espera de ganharem forma. Livros repletos de desenhos e atividades prontos para o que a imaginação quiser. Folhas em branco disponíveis para figuras ou traços de encantar. Brincadeiras ao ar livre nos baloiços e escorregas. Meter as mãos nos misteriosos processos dos trabalhos manuais. Plasticina de várias cores para moldar como e o que se quiser. Peças à disposição da infindável criatividade.

Brincar e jogar. Jogar e brincar. Jogos interativos. Jogos digitais. Jogos que abrem o apetite com áreas e conceitos feitos à medida do conhecimento do mundo e de tudo o que o rodeia, a forma de comunicar e expressar emoções, absorver o ambiente à volta por caminhos tecnológicos à mão de semear, na Escola Virtual Pré-escolar, por exemplo. Abrir livros, explorar as atividades das suas páginas, partir de histórias originais para espreitar o que ainda não se conhece, usar recursos pensados para estimular a curiosidade e os interesses, navegar por destinos longínquos, mergulhar em áreas da linguagem oral, dos números, dos animais, dos objetos, da vida. Brincar é desenvolver competências, solidificar laços que se constroem, resolver conflitos. É rir, usar a fantasia, e ser feliz.

Teresa Sarmento, doutorada em Estudos da Criança, professora do Instituto de Educação da Universidade do Minho, autora de diversos projetos e publicações na área da educação de infância, deixa um aviso: “É importante que os educadores percebam que a base da aprendizagem das crianças em idade pré-escolar é a ludicidade”, afirma. Ludicidade vem da palavra latina ludus, que significa jogo, e jogo é muita coisa. “Tem de se apostar numa abordagem e numa dinâmica educativas que assentem muito no aspeto lúdico”, reforça.

A ludicidade adapta as brincadeiras e os jogos à maneira como os mais novos assimilam o mundo, de uma forma natural e leve, com prazer e com respeito pela individualidade, para que as emoções se manifestem, para que a socialização aconteça. Teresa Sarmento fala em jogos lúdicos, histórias para contar, ouvir, criar e dramatizar. “Jogos que viabilizem a interação, atividades em grupo. Materiais que não tenham finalidades demasiado limitadas. Jogos em que as crianças aprendam a respeitar-se e a respeitar os outros, que convivam de forma respeitosa com as diferenças”, realça, diferenças físicas, sociais ou culturais.

Joana Laranjeiro (Mãe Catita), autora e coach parental, lembra que, em termos físicos, as crianças em idade pré-escolar estão a trabalhar os pequenos músculos. Os jogos físicos de imitação, os jogos que usam músicas para comandar determinadas ações, são possibilidades interessantes, na sua opinião.

É essencial trabalhar a autonomia e valorizar as evoluções dia a dia. “Nesta idade, as crianças adoram construir; é importante definir brincadeiras, adequadas à idade, que elas consigam levar até ao fim para que não se sintam imediatamente frustradas, mas com a sensação de que estão a evoluir”, refere. “É a altura ideal para escolher materiais que trabalham os diferentes sentidos, usar projeções em diferentes suportes, criar ambientes com diferentes experiências sensoriais, promovendo a exploração e a curiosidade”, acrescenta.

Começar o dia com uma música divertida, uma coreografia a condizer, capta a atenção e mexe o corpo. “Como estão numa idade de grande curiosidade, e cheios de perguntas, as questões que surgem podem ser usadas para inventar jogos exploratórios. Quando a pergunta parte deles, todo o envolvimento no processo e na aprendizagem é significativamente maior, além de ser altamente benéfico para a autoestima”, sublinha Joana Laranjeiro. As possibilidades são, portanto, infindáveis para que os mais pequenos absorvam tanto mundo que os rodeia.



 

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