Os jogos tradicionais nas escolas
Armanda Zenhas
Os jogos tradicionais nas escolas
Os jogos tradicionais nas escolas

Recuperar os jogos tradicionais nas escolas será uma manifestação de revivalismo ou um ato pedagógico com sentido?

Os tempos livres de hoje passam-se de forma diferente do que acontecia há algumas décadas. Os recreios das escolas raramente conhecem o traçado da “macaca” no chão e o girar dos piões. Os largos das aldeias muito dificilmente serão ocupados com jogos de malha, com o jogo do pau de sebo ou com corridas de andas. Recuperar os jogos tradicionais nas escolas será uma manifestação de revivalismo ou um ato pedagógico com sentido?

Não há dúvida de que os jogos tradicionais fazem parte do nosso património cultural e de que conhecer e valorizar o património nacional são competências essenciais a desenvolver no ensino básico. Por outro lado, o jogo contribui para o desenvolvimento integral da criança, nomeadamente nas áreas corporal, intelectual, afetiva e social.

São muitos os ganhos nesses domínios, pelo que apenas se destacam os seguintes:
- solicitação e coordenação dos sentidos visual, auditivo e quinestésico;
- desenvolvimento de diferentes destrezas, como, por exemplo, o equilíbrio, a velocidade, a força, a agilidade e a lateralidade;
- desenvolvimento de competências de atenção e de concentração;
- desenvolvimento de competências de antecipação e de rapidez e flexibilidade de reação;
- desenvolvimento da imaginação;
- apreensão lógica de dados físicos e matemáticos;
- reforço da autoestima;
- aquisição de aprendizagens significativas;
- promoção da cooperação e da entreajuda;
- desenvolvimento de competências de inter-relacionamento com os colegas;
- aceitação e respeito pelas regras.

O trabalho em torno dos jogos tradicionais pode ser feito em todos os níveis de aprendizagem, desde o jardim de infância até ao fim do ensino básico. Nas escolas dos 2.º e de 3.º ciclos funcionam muitas vezes clubes, nos quais os alunos podem ocupar os seus tempos livres. Em algumas delas, um desses clubes é o de jogos tradicionais. Há escolas em que existem animadores de tempos livres. Os jogos tradicionais são uma das atividades que eles podem dinamizar. Podem ser criados espaços nos recreios onde haja marcações para a execução de diferentes jogos (ex.: a macaca), os quais serão praticados em algumas aulas, como forma de aprendizagem e de motivação para a sua prática durante as horas de recreio.

Os jogos tradicionais permitem ainda a participação das famílias nas escolas. Os alunos podem fazer pesquisa junto dos pais e dos avós ou de outros familiares. Estes podem ser convidados para participarem numa aula ou numa reunião, a fim de ensinarem os vários jogos a toda a turma dos seus educandos. Podem ser promovidos convívios de turma, em que se formam equipas de pais e de filhos para disputarem diferentes jogos.

Como se vê, são muitas as potencialidades educativas dos jogos tradicionais. São vários os contextos que permitem a sua operacionalização. Os recursos para a sua execução são acessíveis. Vale, portanto, a pena incluí-los nas atividades de cada escola.

In Educare, Os jogos tradicionais nas escolas.

Armanda Zenhas — Mestre em Educação, área de especialização em Formação Psicológica de Professores, pela Universidade do Minho. É licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, nas variantes de Estudos Portugueses e Ingleses e de Estudos Ingleses e Alemães, e concluiu o curso do Magistério Primário (Porto). É PQA do grupo 220 no agrupamento de Escolas Eng. Fernando Pinto de Oliveira e autora de livros na área da educação. É também mãe de dois filhos.

 

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