Obesidade infantil: uma doença?
Henrique Nogueira

O aumento assustador do número de crianças com excesso de peso e mesmo obesas – isto é, com valores já considerados patológicos e mesmo irreversíveis – faz-me alinhar este pequeno conjunto de reflexões. Estes valores atingem já quase um terço de todas as crianças portuguesas. E vão hipotecar o seu futuro com todo o seu cortejo de acompanhantes: diabetes, hipertensão, problemas ortopédicos, diminuição da qualidade e esperança de vida.

Os riscos iniciam-se nos primeiros meses, quando o aleitamento materno até aos 6 meses não é a regra, quando o sal e o açúcar são introduzidos muito cedo e em demasia, quando a alimentação não é diversificada (não incluindo as sopas de legumes, as saladas e a fruta).

A confeção da comida em casa pelas mães ainda é uma medida educativa que se deve seguir. As crianças devem comer de tudo, tendo apenas de ter cuidado com as quantidades, ingerindo as calorias necessárias ao seu dia a dia, promovendo o seu crescimento harmonioso, sem ser necessário acumular.

A comida pré-confecionada – ou em lata, como se de comida de gato se tratasse – tal como a frequência da “fast food” são atitudes erradas. Os boiões com frutas… chocolates… tudo o que nos é posto diante dos olhos como rico em nutrientes deve fazer-nos desconfiar.

Mas a obesidade não é só consequência dos erros alimentares!

A falta de exercício físico, o excesso de tempo a ver televisão ou a jogar computador, as horas de sono insuficientes, quando combinados, são igualmente perniciosos.

Por último, compete especialmente aos pediatras vigiar e alertar para os primeiros sintomas do excesso de peso.

É hora de lutar contra esta verdadeira epidemia que se instala de forma tão insidiosa!

Médicos, pais e educadores devem ter uma atitude assertiva no sentido de ajudar a encaminhar corretamente as crianças no processo de aquisição dos seus hábitos alimentares.

Princípios básicos para uma ementa saudável

  • Tomas as refeições a horas regulares.
  • Comer devagar
  • Respeitar o número aconselhável de refeições diárias.

    Pequeno-almoço e lanche
    Leite com cereais, iogurte e sumos de fruta naturais.

    Principais refeições
    Sopa: sempre de legumes, variando o mais possível, habituando as crianças a paladares diferentes.
    Pratos: de carne branca (frango, pato, peru ou coelho) ou de peixe (sardinha, cavala, atum fresco, salmão, pescada); cozidos, assados ou grelhados, com temperos simples, como ervas aromáticas, acompanhados com arroz, massa, leguminosas, como feijão, grão-de-bico, ervilhas, milho, etc.
    Todos os pratos devem ser acompanhados por saladas frescas (tomate, alface ou outro), sem sal, temperadas com azeite e algumas gotas de limão.
    Sobremesas
    Fruta da época ou da região.
    Bebidas

    Água, sumos naturais de frutas, leite.
    Permitem-se exceções, mas só em dias de festa!



    Revista Educação de Infância, n.º 14, Porto Editora, setembro de 2008



  • Henrique Nogueira - é especialista em pediatria na Clínica Pediátrica do Porto e sub especialista em neonatologia.

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