Minorar a crise e os exageros do Natal
Paula Veloso
Elogiar: Como e o quê?
Minorar a crise e os exageros do Natal

Embora se continue a comemorar o Natal, tenho a sensação de que muitos, mesmo sendo crentes, não lhe atribuirão qualquer significado religioso e, dentre os agnósticos ou os ateus, já nem o espírito de união familiar e solidariedade é uma constante nesta festa. Mantém-se alguma tradição de, a bem ou a mal, juntar a família para uma enorme comezaina e depois partir para um rápido desfile de prendas que depois de esgotadas finalizam a noite de Consoada. Não quero de modo algum generalizar, mas os testemunhos que vou escutando levam-me a concluir que grande parte das pessoas considera esta festa não uma época de meditação, introspeção e ajuda ao próximo, mas antes dois dias de completo exagero gastronómico associados a um inevitável e doentio consumismo.

As condições financeiras em que os portugueses se encontram obrigam a contenção, e os problemas ambientais mundiais exigem que se modere o consumo e os desperdícios. Mas, apesar disso, sabemos, que é importante continuar a comprar, sobretudo produtos portugueses, para que a economia já em agonia não morra de vez.

No que diz respeito aos alimentos consumidos nesta época, são inúmeras as iguarias que se preparam por este país fora, de norte a sul, continente ou ilhas. No entanto, a tónica é comum, muita variedade e em quantidade tão "generosa" que certamente irá sobrar e permanecer nos "escaparates" do lar durante mais outros tantos dias, voltando tudo a repetir-se a partir do final do ano.

Por isso a tão frequente pergunta nesta altura no ano: E agora doutora Como vou fazer no Natal? Normalmente refiro que se engorda, não entre o Natal e o Ano Novo, mas entre o Ano Novo e o Natal (do ano seguinte...), porque, quando muito, poder-se-á aumentar dois ou três quilos, considerando os jantares de Natal, a Consoada e a passagem de ano, mais as sobras que alimentam os dias de permeio. E não é esse ligeiro excesso que caracteriza estados de pré-obesidade ou obesidade.

É importante, e isto dito nesta altura só será válido no próximo ano, começar a contenção no mês ou meses antes do Natal para que se possa ir perdendo algum peso, se a "ideia" é engordar nesta altura. Se engordar dois quilos mas antes já os tinha perdido, fica como estava, nem mais nem menos. Mas a tendência é, depois das férias grandes, haver um certo desleixo com o peso e a imagem por se pensar que no Natal tudo irá por "água abaixo".

Dito isto, o que fazer para gastar pouco e não engordar?
    - Não fazer comida, sobremesas incluídas, em exagero, e de modo que sobre para mais oito dias. Se a Consoada e o almoço forem em sua casa, tenha pequenas embalagens de alimentos, alumínio ou outras, preparadas para fazer uma divisão equitativa das sobras entre todos os convivas. Muitas vezes fica tudo em nossa casa porque não dispomos de embalagens adequadas e em número suficiente para fazer essa distribuição. Mas ainda está a tempo de as adquirir...
    - Como não é conveniente comer em demasia, quer por questões ponderais quer porque não é nada agradável a sensação de enfartamento pós-prandial, coma moderadamente durante o dia de modo a não chegar ao jantar com fome excessiva e nessa altura mastigue lentamente, apreciando a comida e a conversas.
    - Quando chegar a altura das sobremesas, faça uma degustação de todas aquelas que gosta. Coloque uma pequena porção de cada uma num prato de sobremesa - não vale empilhar - de modo a conseguir vê-las todas. E deixe-as derreter na boca como se de chocolate se tratasse. Se mesmo assim sobrarem sobremesas, frutos secos ou chocolate, discipline a sua ingestão ao longo dos dias. O chocolate deve pôr-se no frigorífico ou congelador e não comer mais do que 20 ou 30 gramas por dia, Os frutos secos e desidratados constituem excelentes snacks e poderão, nos dias seguintes, substituir iogurtes, pão ou bolachas que geralmente se levam para as merendas. Se quiser comer um pratinho de leite-creme ou aletria nos lanches da manhã ou da tarde, não coma nem beba mais nada a não ser água ou chá sem açúcar. Ou pode à noite comer apenas uma sopa e uma destas sobremesas lácteas.

Se não houver comida em excesso, o corpo agradece mas a bolsa e o ambiente também. A propósito do já muito encapotado espírito natalício, nunca é de mais lembrar que se uns morrem por excesso outros morrem por escassez. E que se tudo fosse mais dividido, muito mais gente ficaria feliz...

Que tenha um bom Natal, é o meu desejo!

Veja aqui o artigo da Educare.

Paula Veloso — Nutricionista e autora de Dietas sem Dieta, Dieta sem Castigo e Peso, uma questão de peso.

 

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