Fraldas e chupetas: um problema?
Henrique Nogueira

No desenvolvimento psicomotor das crianças há uma fase em que chega a hora de deixar as fraldas e de adquirir hábitos de controlo dos esfíncteres. Esta data não é igual para todos. Há uma série de circunstâncias que promovem ou atrasam o facto. Há até comportamentos diferentes na mesma criança conforme o ambiente em que está inserida. Refiro-me ao facto de certas crianças terem uma atitude nos jardins de infância que frequentam e, em casa, procederem de outra forma. Tudo isto tem relação com as regras praticadas, o comportamento da criança no grupo e com a atitude mais ou menos permissiva dos pais ou dos avós com quem vivem.

Não devemos fazer do facto um drama.

Mais ou menos a partir dos 18 meses, a criança começa a entender qual o comportamento que se espera dela. Deve-se incentivar a ir ao pote, aguardando que ela corresponda ao pedido. O exercício deste ritual deve ser breve, sem lhe permitir que fique com aversão a este objeto. Se ela decidir brincar com ele não devemos insistir e tentar de novo nos dias seguintes. Grande número das crianças levanta-se e pouco depois com a fralda já posta evacua. Nunca lhe devemos repreender este comportamento.

Não esqueçamos que os avanços e recuos no controlo dos esfíncteres devem ser geridos com muito tato e carinho, nunca expondo a criança perante estranhos ou envergonhando-a diante dos irmãos ou dos companheiros. Há de chegar a altura em que a situação se resolverá.

Os incentivos e os aplausos devem premiar os progressos que se vão fazendo.

Associado a esta fase do desenvolvimento está o abandono da chupeta. Tudo depende da maturação da criança e do grau de dependência que ela tem para com este objeto.

Todos conhecemos os inconvenientes do seu uso prolongado – as infeções respiratórias repetidas, as deformações da arcada dentária, etc. – para sabermos que chegou a altura.

A criança deve ser incentivada a deixá-la voluntariamente. Como em todas as coisas vai haver avanços e recuos, nomeadamente se a criança adoecer, nascer um novo irmão ou perder alguém a quem a criança esteja ligada por laços afetivos. Devemos ser persistentes, embora respeitando a sua vontade.

Costumo dizer às mães que é muito mais simples deixar a chupeta do que parece. A conversa com o seu pediatra, em quem deve confiar, traz habitualmente bons resultados. Na consulta seguinte a criança chega normalmente com a boa notícia.

Tudo resulta de uma mudança de afetos levando-a a transferir para outros objetos o seu suporte de segurança.




Henrique Nogueira - é especialista em pediatria na Clínica Pediátrica do Porto e sub especialista em neonatologia.

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