Educação Financeira no pré-escolar: o dinheiro como objeto de valor
Paulo Alcarva
Educação Financeira no pré-escolar: o dinheiro como objeto de valor
Educação Financeira no pré-escolar: o dinheiro como objeto de valor

A evolução do dinheiro ao longo da história, das conchas às moedas, é uma excelente porta de entrada dos alunos do pré-escolar para as temáticas financeiras. Utilizar o Euro e as outras moedas em jogos lúdicos é uma boa estratégia para trabalhar a perceção da importância do dinheiro no dia a dia para comprar aquilo que “necessitam” e aquilo que “querem”.

O nosso quotidiano tem sido invadido nos últimos anos por dialetos económicos. Não surpreende, por isso, que os diálogos familiares e de sala de aula também tenham sido afetados: o pai e a mãe falam de termos como défice orçamental e dívida pública, os professores de cumprimento de orçamento e por aí adiante.

Para os alunos do pré-escolar, os termos acima não passarão ainda de “palavras estranhas de adultos”, contudo devem servir aos educadores como alertas para a importância da educação financeira. Claro está que nesta idade importará essencialmente introduzir pequenos conceitos e palavras do discurso comum que pertencem ao léxico da economia/finanças, bem como estabelecer a relação entre os conceitos de dinheiro e de valor e a diferença entre o “necessitar" e o "querer"; tudo devidamente enquadrado por uma história viva do próprio dinheiro.

Como “tema chapéu” a história do dinheiro é um bom tópico introdutório. O conceito de valor é apreendido com o facto de o dinheiro nem sempre ter existido sob a forma de notas e moedas como hoje em dia, mas, depois da troca direta, sob a forma de objetos, como pedras preciosas, peles, ouro, conchas do mar e até dentes! O importante é que esses objetos tivessem valor para as pessoas.

O sucesso das moedas e notas resultou da necessidade de uniformizar as representações de dinheiro, fundamental para o aumento das trocas comerciais entre os povos. Acredita-se que a primeira moeda, parecida com as nossas, foi criada na cidade da Grécia Antiga chamada Lídia, há cerca de 2.700 anos.

O Euro e as outras moedas
A identificação das notas e moedas presentes no nosso dia a dia é crucial para o enquadramento da criança com as questões financeiras. A mais importante é indiscutivelmente o Euro, como moeda de alguns países da União Europeia, onde se inclui Portugal; mas é igualmente relevante nomear a existência de outras moedas noutros países, como por exemplo o dólar nos Estados Unidos, a libra esterlina no Reino Unido e o yuan na China.

O Banco de Portugal, uma das entidades inseridas no Plano Nacional de Formação Financeira, disponibiliza no seu site material educativo dirigido às crianças e jovens, permitindo-os conhecer as notas do euro, mas também conhecer um pouco da cultura de cada Estado-membro da zona Euro através da análise das gravuras faciais das suas moedas.

A moeda como objeto de expressão sociocultural dos países pode ser aprofundada numa visita ao Museu do Papel Moeda, na Fundação Dr. António Cupertino de Miranda, no Porto. Aí podem ser observados requintados e valiosos espécimes de notas que traçam a sua história ao longo dos tempos, com particular enfoque no percurso das notas que circularam em Portugal.

Jogos lúdicos sobre este tema podem ser encontrados quer no já referido site do Banco de Portugal (“Eurocorrida”, “De que País é a Moeda?” e “Identifica os Elementos de Segurança”), quer no supranacional Banco Central Europeu que dispõe de uma “Escola do Euro”.

Nos jardins de casa
O dinheiro está por todo o lado e a perceção da sua importância já é claro para os alunos do pré-escolar. Mas importa sublinhar que o dinheiro é usado para comprar as coisas de que eles gostam, como brinquedos e doces, mas que primordialmente é usado para pagar coisas que precisamos, como comida, a casa onde vivemos e a gasolina para o carro.

O facto de as crianças não terem dinheiro e ainda assim as suas necessidades serem supridas, permite introduzir o tema da valorização do emprego dos pais e do rendimento gerado pelo fator trabalho. Esse rendimento é umas vezes chamado de salário e outras vezes de ordenado, fazendo-os refletir que é daí que vem a maior parte do dinheiro “deles”, indispensável para comprar aquilo que “necessitam” e aquilo que “querem”.

In Pais & Alunos, Educação Financeira no pré-escolar: o dinheiro como objeto de valor.

Paulo Alcarva — bancário (Diretor de Banca de Empresas), licenciado em Economia e pós-graduado em Mercados de Capitais e Gestão de Carteira pela Faculdade de Economia da Universidade do Porto. É ainda autor de um livro sobre a banca e as PME.

 

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