Dia Internacional do Voluntário
Leonor Mexia
Dia mundial do voluntariado
Dia Internacional do Voluntário

O voluntariado é um ato de cidadania. Quem o exerce cumpre a obrigação de ser solidário e beneficiar a comunidade. Isto sossega e conforta, porque se fica com a grata sensação do dever bem cumprido, sobretudo porque não se foi obrigado. De louvar.

O voluntariado é feito em vários âmbitos: cultural, científico, ambiental, cívico, social etc. Todos são necessários e cada pessoa pode procurar aquele com o qual mais se identifica.

Numa época em que a carência de bens é tão notória, em que milhares de pessoas arriscam a vida em busca de um lugar seguro para viver, em que há um grupo tão grande e variado de pessoas, mesmo aqui ao nosso lado, na nossa cidade, na nossa rua, a necessitar de ajuda urgente, o voluntariado que toca a fragilidade humana assume grande destaque. É quando percebemos que mais do que um quilo de arroz ou massa, ou um pacote de fraldas e shampoo, há pessoas carentes de afeto, de atenção, de amor, de segurança. Há pessoas que não têm ninguém a quem recorrer, há pessoas muito, muito solitárias. Há pessoas que não conseguem dar a volta à vida, porque não encontram força em lado nenhum, porque perderam a pouca esperança que tinham, porque não têm ninguém que lhes dê a mão. Há pessoas que não sabem que têm de ser respeitadas — e isto é grave. É aqui que o voluntariado faz a diferença. O voluntário tem a grande oportunidade de minorar as diferenças sociais, de proporcionar bem-estar e contribuir, nem que seja um bocadinho, para a felicidade de alguém, porque se criam relações, porque se promove a pessoa, porque se estimula e desenvolve o que cada um tem de melhor. Ajudar também pode ser dar bens, sim, mas pode ser muito mais do que isso. Pode ser dar importância, escutar, dar tempo, orientar, acolher, integrar.

Todos podemos ser voluntários. Todos podemos tocar corações. E sim, vale a pena mudar a direção do nosso olhar para quem precisa. Todos temos algo para dar — temos dois braços para abraçar, temos lábios que se transformam em sorrisos, temos ouvidos prontos para escutar. Cada pessoa que precisa da nossa ajuda é uma pessoa igual a nós. Tem os seus sonhos (quando ainda lhe resta capacidade de sonhar), desejos e medos.

É normal o voluntário sentir-se bem com o que faz, mas a finalidade da ação é sempre o outro, sempre. No entanto, quem não fica alegre por partilhar experiência, amor, partilhar vida? O voluntário é alegre, porque se dá. O amor, quando é partilhado, aumenta, e essa gratuidade transforma e capacita quem dá e quem recebe.

Num tempo em que tanto se fala de valores, ou da falta deles, é importante referir que há um aumento significativo de organizações que ajudam nas mais diversas áreas e que o número de voluntários aumenta, porque, para o voluntário, a indiferença magoa.

Em alturas de crise, as pessoas ficam mais sensíveis e atentas ao próximo, mais generosas. Este testemunho de entrega, de solidariedade, de boa vontade é muitíssimo importante para os mais novos! Crescerão assim com o exemplo da gratidão, da partilha, do respeito, da verdade, valores morais que são a base para uma sociedade mais equilibrada e tolerante. Valores morais que são a base para um mundo que se quer mais justo e com muito mais amor.



Leonor Mexia - é autora de livros infantis da Porto Editora. Realiza sessões de leitura em escolas, bibliotecas, auditórios. É voluntária na Bebés de S. João — Associação de apoio à maternidade, na Paróquia de Cristo Rei, e outros.

 

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