Chegou setembro... e agora?
Marta Pereira e Paula Pereira
Chegou setembro... e agora?
Chegou setembro... e agora?

Como receber as crianças?

O início do ano letivo é sempre uma incógnita e, por isso, um momento de ansiedade para o(a) educador(a), pois o conhecimento do grupo pode ser nulo ou parcial. Tecnicamente, a receção das crianças passa pela organização do ambiente educativo: espaço, tempo e grupo.

No entanto, a prática e a experiência dizem-nos que receber crianças vai muito além das questões técnicas. Receber as crianças é estar lá para elas, ter tempo para elas, proporcionar-lhes conforto e bem-estar, reconhecendo-as e atendendo-as como seres únicos que são. É o saber cuidar ético. Tal como referem as Orientações Curriculares para a Educação Pré-escolar (OCEPE) “(...) cuidar e educar estão intimamente relacionados, pois ser responsável por um grupo de crianças exige competências profissionais que se traduzem, nomeadamente, por prestar atenção ao seu bem-estar emocional e físico e dar resposta às suas solicitações (...).”.

Durante o período de adaptação, é fundamental o educador individualizar a atenção, pois esta vai reforçar a autoconfiança, potenciar a autoestima e facilitar a integração da criança. Criar uma relação de confiança permite estreitar laços afetivos no grupo, que reforçam a estabilidade emocional e garantem o sucesso do processo educativo.

Na nossa perspetiva, quando acolhe as crianças, a grande preocupação do(a) educador(a) deverá ser proporcionar um ambiente em que estas se sintam cuidadas, respeitadas, enfim, AMADAS.

Como conquistar a confiança dos pais?

O nervosismo na primeira reunião é de parte a parte. O educador tem à sua frente um grupo de pais aos quais quer transmitir profissionalismo, serenidade, sensibilidade, equilíbrio e, essencialmente, confiança. Do outro lado encontram-se os pais ansiosos, inseguros e expectantes. Afinal, vão entregar o que têm de mais precioso a alguém que ainda não conhecem.

Cabe ao(à) educador(a) quebrar este gelo e iniciar uma relação que se quer de comunicação, partilha e coeducação. As trocas de informação com as famílias podem ser informais ou em reuniões, pois “Estes momentos constituem ocasiões para conhecer as suas necessidades e expetativas educativas, ouvir as suas opiniões e sugestões, incentivar a sua participçãao (...).” (OCEPE).

A interação com a família da criança permite ao educador compreendê̂-la, acolhê-la de forma individualizada e, consequentemente, promover a sua felicidade.

Ora, crianças felizes, pais tranquilos!



Marta Pereira e Paula Pereira — Educadoras de infância numa IPSS e autoras da coleção de pré-escolar ELFI.

 

Uma sala, imensas possibilidades
Porto Editora
nov 2019
Elogiar: como e o quê?
Adriana Campos
out 2019
A entrada dos adultos na creche/jardim de infância
Adriana Campos
set 2019
Manifesto a favor da desprogramação do tempo livre das crianças
Manuel Rangel (1956 – 2015)
jul 2019
A importância do contexto familiar na felicidade da criança e do seu bem-estar
Manuela Queirós
mar 2019
Back to Top