Hanif fala de «O Caso das Mangas Explosivas» no Facebook
Diário Digital
|14-07-2009
Vencedor do Commonwealth Writers´ Prize para primeira obra com o livro «O Caso das Mangas Explosivas», editado pela Porto Editora, Mohammed Hanif respondeu via facebook algumas questões colocadas por leitores portugueses. Foi a primeira vez que uma editora nacional entrevistou um escritor por este meio?
Mohammed Hanif é paquistanês e o seu livro «O Caso das Mangas Explosivas» recebeu inúmeros elogios da crítica mundial, mas também de personalidades da literatura, como John Le Carré, que considerou a obra de «perspicaz, requintada e deliciosamente anárquica».
«O Caso das Mangas Explosivas» retrata os últimos dias do ditador Zia ul-Haq (morreu num acidente de aviação), num relato que foge aos cânones habituais. O primeiro capítulo do livro pode ser lido no seguinte endereço:
http://www.portoeditora.pt/geral/popup/materiaisdownload/recurso/capitulo.pdf_obr
Entrevista concedida no Facebook:
Não sabemos muito sobre o seu país. Pode falar-nos um pouco sobre a literatura paquistanesa?
É muito diversa e antiga. Tem histórias e poesias que sobrevivem há mais de cinco mil anos. Na literatura moderna, temos autores a escrever em, pelo menos, sete línguas. Temos poetas que escrevem tão bem como Borges ou Neruda. O romance moderno só teve início aqui há mais ou menos cem anos, mas já temos algumas obras-primas. Mas o Paquistão é normalmente conhecido pela sua música popular.
Que autores paquistaneses recomendaria?
A obra de Abdullah Hussain, Weary Generations (traduzido diretamente do urdu), é um verdadeiro épico. Afzal Sayed é um grande poeta paquistanês e a sua obra estará traduzida em breve. Saadat Hassan Manto é, provavelmente, o melhor escritor de contos do mundo. Morreu há mais de meio século mas as suas histórias, disponíveis em tradução inglesa, são eternas.
Já escreveu argumentos. Considerando o grande sucesso do seu livro, pensa apresentar «O Caso das Mangas Explosivas» no grande ecrã?
Acho que só alguém com muito dinheiro, capaz de financiar a explosão de aviões verdadeiros, poderia apostar numa coisa do género. Acho, sinceramente, que o livro não é passível de filmagem. Mas acho que daria um bom musical.
Reconhece-se na personagem do Ali Shigri?
Quem me dera. A minha vida é um pouco aborrecida. Não sou muito bom com facas, espadas ou aviões. Ele é, então, o oposto de mim.
Quais são as suas expectativas quanto à receção do livro em Portugal?
Espero que algumas pessoas gostem de mangas.
Porque decidiu regressar ao Paquistão, apesar do bom emprego e da escola do seu filho em Londres?
Porque sentia a falta de Karachi [uma das mais importantes cidades paquistanesas, situada próximo da costa com o mar Arábico, no oceano Índico]. Sentia falta do mar e sentia falta do ar. Já estou em Karachi há dez meses e nunca me arrependi de regressar. Nem o meu filho.
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