Edição n.º 8, julho de 2011

O consenso é alargado entre os bloguistas de Educação: é urgente alterar o sistema de avaliação do desempenho docente. Mas há muito a fazer num ano que se avizinha “difícil”.

O dia cinco de junho determinou a viragem governativa e perspetivou uma mudança no Ministério da Educação. E com ela surgiram duas grandes vontades no meio educativo: quebrar com as medidas mais contestadas da anterior legislatura e pacificar a relação entre professores e Governo.

É isso que espera O Reitor, autor do blogue Da Reitoria, que vaticina um ano “difícil”, quer para os professores quer para as escolas. “Haverá cortes em todas as despesas na educação, reformulação de currículos, suspensão dos programas e projetos pedagógicos de melhoria dos resultados escolares”. Mas, mesmo assim, acredita que “as escolas respirarão um ar mais puro, ganharão confiança no Governo e nos seus superiores, será dita a verdade”.

Paulo Guinote – Educação do Meu Umbigo – espera, da próxima coligação, a “clarificação das matérias que estão numa situação de bloqueio, indefinição ou suspensão há algum tempo, prejudicando o funcionamento das escolas e o trabalho de professores e alunos”. Refere-se à reforma do Ensino Básico, que interfere com a carga horária dos alunos e os horários dos professores, e ao modelo de avaliação do desempenho docente, “não se percebendo até que ponto o trabalho que está a ser feito tem alguma vantagem para as aprendizagens dos alunos”, alude.

Na opinião de Paulo Guinote, o próximo ministro da Educação “deve ser alguém que alie um perfil político, com ideias próprias mas também com capacidade de negociar, a uma reconhecida competência técnica”.

 

E isto “para que não fique refém de ideias alheias e dos grupos de trabalho formados sempre pelas mesmas pessoas que povoam certos nichos do Ministério há décadas”. Para além disso, “deve ser alguém desligado dos grupos de interesses em confronto na área da Educação”.

“A revogação do atual modelo de avaliação dos professores seria o melhor sinal para que os professores ganhassem confiança no novo Ministério”.
O Reitor.

Octávio V. Gonçalves, professor e autor de um blogue com o mesmo nome, indica que na relação com o anterior Governo começou por falhar a atitude deste com os professores, considerando-a “politicamente estratégica” e a privilegiar “a via da confrontação permanente, do diálogo crispado e da desautorização”. O bloguista acrescenta ainda que faltou “transparência” e “seriedade” às equipas dirigentes do Ministério, consequência da “falta de preparação política, técnica, científica e pedagógica”. “Não se pode garantir o sucesso das medidas se ao mesmo tempo se desautoriza quem pode determinar a eficácia das mesmas: os professores.”

Por este motivo, o também professor defende a cessação imediata de todos os procedimentos e efeitos inerentes ao modelo de avaliação em vigor, “de forma a ficar muito claro que este novo Ministério não pactua com farsas ou processos menos sérios”. Paralelamente a esta decisão, Octávio V. Gonçalves sugere a reabilitação e reorganização da Inspeção-Geral da Educação, vocacionando-a para funções de avaliação e classificação de professores.