Provas finais a valer regressam este ano ao 1.º Ciclo

Edição n.º 13, dezembro de 2012

O último exame da 4.ª classe foi em 1974. Trinta e oito anos depois, há professores que aplaudem este regresso.

Em maio, cerca de 100 mil alunos vão realizar as provas finais de Português e Matemática de 4.º ano. O objetivo é avaliar o conhecimento dos alunos a estas áreas consideradas nucleares. Apesar das provas de aferição terem servido como um prenúncio do que aí viria, a verdade é que o peso da avaliação obriga a um ajustamento na lecionação da matéria.

Maria Neves, professora na EB1 do Cedro, em Vila Nova de Gaia, não vê nenhum inconveniente do ponto de vista pedagógico, mas admite a necessidade do reajustamento de horário que permita dedicar mais horas ao Português e à Matemática nos dois primeiros períodos do 4.º ano. “Evidentemente que isso nos obriga a cortar ao Estudo do Meio e às Expressões, o que é uma pena”, refere.

Preocupa-me que ainda não haja uma matriz desta prova, com os conteúdos e os objetivos a trabalhar.”
Maria Neves

Nestas idades, a consciencialização dos alunos para a importância do exame não é fácil, por isso, o incentivo ao estudo também passa pelos pais. Na EB1 do Cedro, por exemplo, foi realizada uma apresentação acerca da introdução das provas finais, apelando à melhor gestão possível das atividades extracurriculares das crianças. “Todos sabemos que muitos meninos depois das aulas têm outras atividades, como o karaté, o ballet ou a natação. O que tentámos fazer foi consciencializar os pais para a necessidade de se reforçarem, em casa, os conhecimentos adquiridos em sala de aula.”

 


Para Maria Neves, a não inclusão do Estudo do Meio na lista de exames é algo que não a preocupa, sobretudo porque a forma como o tema é apresentado permite motivar os alunos para, fora da sala de aula, irem à procura de mais informação. “Para Português e Matemática é necessário maior orientação”, afirma.

A nível de escola, tudo faremos para incutir nos alunos a responsabilidade e a necessidade de serem bem-sucedidos neste exame.”
Miguel Almeida

Opinião semelhante tem o coordenador da EB1/JI das Flores, no Porto. Miguel Almeida compreende a medida do Ministério em apenas realizar o exame a estas duas áreas do saber, “pois são aquelas que nos permitem adquirir competência para todas as outras”. A própria interdisciplinaridade no 1.º Ciclo permite trabalhar os conteúdos do Estudo do Meio através dos textos de Português e dos exercícios de Estudo do Meio. “Os manuais escolares já estão organizados de forma a permitirem esta articulação entre disciplinas.”

Mais divididas estão as opiniões quanto à data escolhida. Se, por um lado, o facto de ser em maio abre espaço para dois meses de recuperação para uma segunda fase, por outro pode desmotivar os alunos que sentem o alívio de já ter realizado a prova, relegando para segundo plano a restante matéria a aprender. “Cabe ao professor motivar o aluno para estar em sala de aula, mas isso acontece em qualquer altura do ano”, afirma Miguel Almeida. Maria Neves exemplifica: “Vamos ter de pensar em várias estratégias e materiais para não cansar os alunos destas duas áreas, já que vão dedicar mais horas seguidas a trabalhar o Português e a Matemática.”

No final do ano letivo anterior, as médias alcançadas nas provas de aferição foram de 66,7% a Português e 53,9% a Matemática.

 

 
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